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N.º 0118 meses em curso

Memorial do produto · Volume II

Um arquivo,
não um depósito.

O CertHub nasceu de uma frustração silenciosa — a de quem termina um curso, recebe um PDF, salva numa pasta qualquer e nunca mais o encontra. Anos depois, sobra a vaga lembrança de ter feito e nenhuma evidência apresentável. Este memorial conta como essa fricção foi traduzida em produto, e como o produto encontrou sua forma.

Leitura estimada · 12 minutos · 10 capítulos

Capítulo I

Carta do idealizador

Por que isto existe.

Aprimeira versão deste produto cabia num caderno. Não havia banco, não havia interface, não havia pipeline. Havia uma planilha de 312 linhas, cada uma com o título de um curso, um link quebrado para o emissor e um campo de carga horária que eu mesmo havia digitado errado três vezes. Foi ali que ficou óbvio o problema: certificados não são documentos difíceis de obter — são documentos difíceis de guardar bem.

O CertHub foi desenhado para resolver isto e nada mais. Não é um LMS, não é um sistema de RH, não é uma rede social profissional. É um arquivo — no sentido antigo da palavra — onde cada peça entra catalogada, conferida e recuperável. A interface é editorial porque arquivos sérios sempre foram editoriais: têm capa, índice, numeração, glossário e colofão.

Tudo o que se segue é o registro honesto desse processo. As decisões mantidas e as recusadas, as ondas de evolução, a arquitetura que sustenta a leitura automática e a metodologia que orientou cada escolha. Se algo parecer simples demais, é porque foi profundamente debatido para chegar até aqui.

Capítulo II

Manifesto

Três fontes precisam concordar.

“Um certificado só entra no acervo quando templates, OCR e IA auditora dizem a mesma coisa. Discordância não é erro — é convite à revisão humana.”

Princípio fundador · cláusula primeira
Capítulo III

Origem

O problema antes do código.

Profissionais que estudam por conta própria acumulam dezenas — às vezes centenas — de certificados digitais. Cursos rápidos, trilhas longas, eventos, palestras, certificações técnicas. Cada emissor entrega um PDF diferente, com diagramação própria, em campos que raramente coincidem.

Na hora de atualizar o currículo, montar o Lattes ou prestar contas em uma auditoria, o material existe — mas está fragmentado, duplicado, mal nomeado, sem padrão. O esforço de organizar manualmente é tão alto que muita gente simplesmente desiste de comprovar o que aprendeu.

O CertHub começou ali. Não como ideia de software, mas como um problema operacional de engenharia: entrada heterogênea, saída padronizada, mínima intervenção humana, máxima confiança no resultado. Trate o certificado como matéria-prima, defina a especificação da peça final, controle as variações no meio.

Capítulo IV

Cadernos

Como o produto evoluiu.

  1. Onda I

    2025 · trimestre I

    Fundação

    Autenticação, banco com RLS, storage privado, upload em massa e o primeiro pipeline de leitura por IA. A versão mínima que provou a hipótese — feia, lenta, mas funcional.

  2. Onda II

    2025 · trimestre II

    Resiliência

    Fila de processamento em background, retentativas com backoff exponencial respeitando Retry-After, worker independente da sessão do navegador. O upload de 50+ arquivos deixou de quebrar no meio.

  3. Onda III

    2025 · trimestre III

    Tri-validação

    Templates por emissor, OCR puro com regex e IA auditora passaram a se confrontar. Divergências viraram badge de revisão, não silêncio. O acervo ganhou rastro de confiança por campo.

  4. Onda IV

    2025 · trimestre IV

    Independência da IA

    Extração determinística via unpdf assumiu o primeiro lugar. A IA passou a ser fallback opcional — o produto continua funcionando mesmo com a API fora do ar. Custo por certificado caiu para perto de zero.

  5. Onda V

    2026 · trimestre I

    Archive Edition

    Reposicionamento visual e editorial. Saiu o tom de SaaS genérico; entrou a gramática de revista de arquivo — Cormorant Garamond, Karla, hairlines, numerais romanos, papel cru, tinta esmeralda British Racing.

  6. Onda VI

    2026 · trimestre II

    Inteligência operacional

    Atalhos globais (⌘K), polling adaptativo via Realtime, indicador de fila ativa no masthead, paleta de comandos. O sistema passou a pensar antes do usuário.

  7. Onda VII

    2026 · trimestre III

    Mobile-First Total

    Reconstrução completa para a mão. Bottom nav editorial, áreas de toque ≥ 44px, barra fixa de salvar, lanes horizontais de filtros, prevenção de zoom involuntário no iOS.

Capítulo V

Arquitetura

O que sustenta a leitura.


   ┌─ upload ─┐    ┌──────────────────────────── tri-validação ────────────────────────────┐
   │  PDF /   │ →  │  [A] templates       [B] OCR + regex        [C] IA auditora           │
   │  imagem  │    │   por emissor          fallback visual         segunda leitura         │
   └──────────┘    └───────────────┬─────────────────┬─────────────────┬───────────────────┘
                                   ▼                 ▼                 ▼
                              ┌─────────────────── consenso ───────────────────┐
                              │   3 de 3 → acervo direto                       │
                              │   2 de 3 → acervo com badge "conferir"          │
                              │   ≤ 1 de 3 → fila de revisão humana             │
                              └────────────────────────┬───────────────────────┘
                                                       ▼
                                          ┌──────────────────────┐
                                          │ dedup por content-hash │
                                          │ normalização canônica  │
                                          │ thumbnail WebP         │
                                          └──────────┬───────────┘
                                                     ▼
                                              acervo · /dashboard
Fig. I — Pipeline de catalogação. Cada peça atravessa três leituras independentes antes de receber número de série.Arraste o diagrama para o lado →
01

Camada determinística

Templates específicos por emissor (Alura, Coursera, Rocketseat, Udemy, DIO, genéricos). Texto extraído via unpdf, campos resolvidos por regex calibrado em amostras reais. Sem rede, sem latência, sem custo por inferência.

02

Camada de OCR

Imagens e PDFs digitalizados passam por OCR antes da regex. Funciona para prints de tela, fotografias de diplomas e documentos escaneados em qualidade ruim. É o resgate dos casos onde a camada 01 não tem texto pra ler.

03

Camada de auditoria

A IA recebe o texto bruto e devolve uma segunda leitura independente. O consenso entre as três fontes decide se o certificado entra direto no acervo, entra sinalizado para conferência ou vai para a fila de revisão humana.

04

Camada de operação

Fila durável com pg_cron e pg_net, retentativas com backoff exponencial respeitando Retry-After, deduplicação por hash de conteúdo, normalização canônica de nomes de emissores e instituições. Reanimação de jobs travados a cada 5 minutos.

Capítulo VI

Decisões importantes

O que foi mantido — e o que foi recusado.

  • Mantido

    Leitura local em primeiro lugar.

    Recusado

    Depender exclusivamente de IA.

    Porquê

    API cai, preço sobe, limite estoura. O produto precisa funcionar de qualquer forma.

  • Mantido

    Revisão humana visível.

    Recusado

    Esconder divergências para parecer mais inteligente.

    Porquê

    Confiança se constrói mostrando o que não bate, não fingindo certeza.

  • Mantido

    Identidade editorial.

    Recusado

    Mais um dashboard roxo com gradiente.

    Porquê

    O produto fala de arquivo, prestígio e memória. A interface tinha que parecer um catálogo.

  • Mantido

    Atalhos globais e densidade.

    Recusado

    Onboarding interminável.

    Porquê

    Quem tem 200 certificados quer velocidade. Tutorial é falta de respeito com o tempo do usuário.

  • Mantido

    Mobile como plataforma primária.

    Recusado

    ‘Adaptaremos depois.’

    Porquê

    A foto do diploma é tirada no celular. O upload começa onde o documento nasce.

  • Mantido

    Fila durável fora da sessão.

    Recusado

    Processar tudo no navegador aberto.

    Porquê

    Acervos grandes levam minutos. Ninguém deve segurar uma aba para o trabalho acontecer.

Capítulo VII

Autoria

Quem concebeu este sistema.

Idealizador e responsável técnico

Carlos Eduardo

Engenheiro de Produção · Brasil

O CertHub foi inteiramente idealizado, projetado, prototipado, desenvolvido e refinado por uma única pessoa. A formação em Engenharia de Produção orientou o produto desde a primeira hipótese: trate certificados como entrada de processo, defina padrões de saída, meça desvios, reduza retrabalho.

Essa lente moldou tudo o que veio depois — da arquitetura de fila à decisão de tornar a IA um auditor, não um decisor. O resultado é um software que se parece com uma engenharia de processos vestida em forma editorial: rigor por dentro, calma por fora.

Não há time de design, time de produto, time de engenharia. Há apenas as mesmas mãos passando pela mesma peça em ângulos diferentes — diagnóstico, plano, código, revisão, retorno ao diagnóstico. O memorial existe, em parte, para registrar isso com honestidade.

Capítulo VIII

Método

Como o produto é construído.

01

Observar

Cada decisão começa com um arquivo real, um erro real, uma fricção real. Nada de feature movida por suposição — toda hipótese passa por amostra concreta antes de virar código.

02

Modelar

Antes de codar, o fluxo é desenhado como processo: entradas, transformações, pontos de falha, critérios de aceite. O código nasce de um diagrama, nunca de um chute.

03

Refinar

Cada onda revisita o que já existe. O produto não cresce só somando — cresce também depurando, removendo, simplificando. Mais da metade das mudanças são corretivas.

Capítulo IX

Estatísticas do projeto

Em números.

07Ondas de evolução
03Fontes em consenso
20+Emissores mapeados
100%Concebido por uma pessoa

Volumetria de projeto, não de marketing — sem usuários inflados, sem MRR inventado, sem prêmios fictícios.

Capítulo X

Glossário

Vocabulário próprio do projeto.

Acervo
A coleção completa, organizada e recuperável de certificados de uma pessoa. Substituiu, dentro do produto, palavras como ‘cofre’, ‘biblioteca’ e ‘pasta’.
Tri-validação
Conferência cruzada de três leituras independentes (templates, OCR+regex, IA auditora) antes de qualquer peça receber número de série no acervo.
Onda
Unidade de evolução do produto. Cada onda revisita o que já existe — não é sprint, não é release; é uma camada de refinamento sobre o todo.
Caderno
Registro datado de uma onda no memorial. Plural: cadernos. Eles formam o histórico oficial do produto.
Reanimação
Rotina periódica que destrava jobs presos em estados intermediários da fila. Equivalente operacional a uma ronda do bibliotecário.
Colofão
Bloco final (ou marginal) com créditos editoriais — tipografia, papel, tinta, autoria. Aqui também serve como ficha técnica do produto.

Agradecimentos

A todos os profissionais que testaram versões iniciais, apontaram divergências, exportaram acervos completos só para conferir, e devolveram observações honestas. Nenhuma ferramenta amadurece sozinha. O CertHub deve sua forma atual a essas conversas — e seu rigor à insistência de não soltar nada antes da hora.

Assinado

Carlos Eduardo

Idealizador · Engenheiro de Produção · Brasil · 20252026

Fim do Volume II · próximo caderno em aberto

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